A Rebeca foi entrevistada pela International Mission Board e esta é a transcrição (traduzida para português) da mesma. Esta é a ligação para a entrevista original (em inglês): Rebeca’s Interview (English)
Parceiros missionários globais expandem o trabalho do Evangelho através das equipas da IMB
Dos Açores ao Japão, o legado de fé chega longe

Rebeca Couto mudou-se de um arquipélago vulcânico para outro, deixando as ilhas dos Açores, em Portugal, para estabelecer a sua vida no Japão. A percentagem de cristãos evangélicos nos Açores e no Japão é semelhante, sendo inferior a 1% em ambas as populações.
Couto é cristã da quarta geração, algo raro nas pequenas ilhas. É uma das poucas, se não a única, crente nos Açores com uma linhagem espiritual tão longa. Este rico legado moldou-a e preparou-a para o ministério.
«Sempre compreendi a Grande Comissão como um chamamento dirigido a todos os crentes e a todos os discípulos de Cristo, para serem missionários onde quer que estejam, seja qual for a sua atividade e independentemente daquilo com que Deus os tenha capacitado», afirmou Couto.
O bisavô de Couto tornou-se cristão através do testemunho de missionários do Reino Unido. Mais tarde, missionários do Foreign Mission Board, atualmente designado International Mission Board (IMB), iniciaram o primeiro trabalho batista nos Açores, fundando uma igreja de língua inglesa perto de uma base militar norte-americana. Um casal de batistas brasileiros fundou uma igreja de língua portuguesa, que viria a ser a congregação onde Couto cresceu e na qual foi comissionada como missionária.
O ministério tem sido transmitido de geração em geração na sua família. O pai de Couto exerce o pastorado há 20 anos, e ambos os seus pais têm estado envolvidos no ministério durante a maior parte das suas vidas.
Atualmente, Couto serve no Japão como parceira missionária global — uma missionária que recebe apoio financeiro de uma igreja ou organização enviadora do seu país de origem e que trabalha em colaboração com as equipas da IMB. Perto de 400 parceiros missionários globais servem atualmente nas equipas da IMB em todo o mundo.
Aprender a língua
Couto está inteiramente dedicada ao estudo da língua em Yokohama, no Japão. Já levava alguma vantagem antes mesmo de chegar ao país. Depois de concluir o ensino secundário, mudou-se dos Açores para Lisboa para tirar um curso superior de Música. Passava horas nos transportes públicos e queria encontrar um desafio que lhe permitisse aproveitar esse tempo. Decidiu estudar japonês porque achava que a língua soava muito bem.
Na altura, não tinha qualquer intenção de se tornar missionária no sentido tradicional. No entanto, à medida que aprendia mais sobre a língua e a cultura, crescia a sua preocupação com aqueles que ainda não conheciam o Evangelho. Começou então a investigar o cristianismo no Japão.
«Compreendi como era desoladora a situação e como o país precisava de Jesus. Tive dificuldades em lidar com esse chamamento porque as portas estavam fechadas e, por inúmeras razões, não parecia possível ir para o Japão», afirmou Couto.
Depois de concluir mestrados em Ensino de Música (Violino) e em Música (Variante Execução / Violino), bem como um curso de formação teológica num seminário, Couto ponderava fazer um doutoramento ou regressar ao seminário quando os seus professores, os missionários da IMB Jonathan e Bethany Sharp, a contactaram a propósito da possibilidade de servir como missionária no Japão. Apresentaram-lhe o programa de parceiros missionários globais (Global Missionary Partners — GMP) e convidaram-na a participar numa escola de imersão missionária que tinham desenvolvido em fase-piloto.

Música para os seus ouvidos
Sendo violinista profissional, Couto levou o seu violino para o Japão, sem saber que oportunidades encontraria, mas convicta de que o seu chamamento para o campo missionário envolveria, de alguma forma, o talento que Deus lhe tinha dado.
«Vejo-me como alguém que foi chamada para servir através da música. Nunca sequer concebi fazer missões excluindo completamente o violino», afirmou Couto.
E acrescentou: «A música é uma forma tão universal de estabelecer ligações com as pessoas, e é muito natural associá-la ao Evangelho e à mensagem de Deus para o coração das pessoas.»
Embora soubesse que o Senhor acabaria por abrir alguma porta para utilizar o violino ao serviço do Reino, estava em paz com a possibilidade de, durante algum tempo, não conseguir dedicar-se tanto à música. Contudo, não foi isso que aconteceu.
«Sempre compreendi a Grande Comissão como um chamamento dirigido a todos os crentes e a todos os discípulos de Cristo, para serem missionários onde quer que estejam, seja qual for a sua atividade e independentemente daquilo com que Deus os tenha capacitado», afirmou Couto.
Três músicos profissionais de música clássica frequentam a igreja de Yokohama onde Couto congrega, algo raro que ela considera «milagroso». Na Europa, nunca tinha frequentado uma igreja com tantos músicos profissionais. Por isso, numa ilha onde a população evangélica é reduzida, esta situação parece-lhe ser verdadeiramente obra de Deus.
Foi imediatamente acolhida e convidada a integrar o Euodia Ensemble, um ministério musical evangélico constituído por músicos profissionais no Japão, com cerca de 300 membros espalhados pelo país. O grupo organiza concertos e atua em salas de orquestra em Tóquio e Osaka, com o objetivo de abençoar a comunidade, partilhar o Evangelho e estabelecer contactos com as pessoas.
Couto tinha sido profundamente influenciada por um ministério semelhante, a Crescendo International, uma rede mundial de músicos cristãos. Nunca esperou encontrar algo parecido no Japão, onde menos de 1% da população é cristã e os músicos profissionais de música clássica que são cristãos são ainda mais raros.
Olhando para trás, sente-se grata pelo tempo de Deus. Se tivesse ido para o estrangeiro mais cedo, talvez tivesse de sacrificar parte do seu desenvolvimento enquanto musicista. A espera permitiu-lhe alcançar um nível avançado de autonomia, que lhe possibilita continuar a aperfeiçoar-se sem precisar da orientação de um professor.
No próximo ano, Couto irá tocar num dos principais concertos do Euodia Ensemble.
Fazer crescer a igreja
Embora grande parte do seu tempo seja dedicada ao estudo da língua, Couto também serve numa igreja em fase de implantação, situada num bairro de Yokohama em rápido crescimento, com muitos jovens adultos e famílias jovens. A primeira celebração dessa igreja realizou-se uma semana antes da chegada de Couto.
Uma equipa missionária organiza sessões de conversação em inglês, noites de jogos e uma aula de preparação de pão orientada por um padeiro japonês.

Couto observou que, no Japão, o crescimento acontece frequentemente de forma lenta. Segundo ela, quando avaliado pelas expectativas ocidentais de multiplicação de igrejas, o trabalho parece avançar devagar. Contudo, é importante construir uma reputação saudável, para que as novas igrejas não sejam vistas como seitas, que são muito comuns no Japão.
A igreja tem-se concentrado em dispor de um espaço físico onde se possa reunir, estabelecer um nome para a congregação e desenvolver uma comunidade, criando relações e ligações com as pessoas. Estes são passos iniciais indispensáveis para conquistar a confiança da população.
Os membros da igreja que está na origem desta nova congregação também frequentam a igreja em implantação, trazendo os seus amigos e contribuindo para reforçar a sua reputação, o que ajuda a conquistar a confiança da comunidade local.
A igreja fundadora é invulgarmente grande para os padrões japoneses, contando com cerca de 150 a 180 membros, que participam em três cultos.
Couto tem servido lado a lado com japoneses da sua faixa etária.
«É maravilhoso. A geração com quem estou a trabalhar, que é a minha geração, demonstra um coração muito apaixonado pelo crescimento do Reino, pela sua expansão e pela multiplicação e frutificação da igreja», afirmou.
Se desejar entrar em contacto com Rebeca e acompanhar o seu trabalho, envie um e-mail para o Centro de Contactos da IMB, através do endereço [email protected].