No passado dia 22 de fevereiro, tivemos a alegria de batizar o Peter. Realizámos este ato de testemunho no nosso “batistério” preferido: o Poço da Areia, na baía da Praia da Vitória. O Rúben leu o texto que se refere ao batismo do eunuco Etiope, por Filipe, e relembrou um excerto do testemunho que o Peter já tinha partilhado com a igreja. O Daniel leu o texto de Colossenses 2:6-15. Depois, entrámos na água e, ao ser mergulhado, o Peter declarou que já morreu para uma vida sem Deus e foi “sepultado com Cristo”, e quando saiu da água, declarou o seu novo nascimento, para uma vida com Deus, “ressuscitado com Cristo”.
Este é o testemunho que o Peter partilhou com a igreja.
“Não há muito tempo pedi ao Ruben para ser baptizado. Ele pediu-me que viesse aqui e falasse convosco sobre as razões pelas quais queria ser baptizado. Há uma resposta muito simples a esta pergunta: a Bíblia diz que devo fazê-lo e eu quero obedecer aos mandamentos de Deus. Mas isto não corresponde ao verdadeiro espírito de um testemunho.
Apesar de ter sido adoptado por uma família cristã, rejeitei completamente Cristo e a Igreja, acreditando que eram apenas uma forma de controlar pessoas estúpidas e fracas e de as manter dóceis. Vivi durante décadas como um ateu profundamente amargurado, furioso com um Deus em cuja existência não acreditava, por causa das coisas que os seres humanos faziam uns aos outros em Seu nome.
Com o tempo, exausto de lutar constantemente contra o desconhecido, esmagado pela vida e pelas minhas dependências, e forçado a admitir a minha própria hipocrisia, passei a considerar-me um agnóstico. Pensei que, nesse momento, estava aberto e desperto, mas na verdade ainda estava a dormir.
Como muitos de vós já sabem, sou alcoólico e toxicodependente, entre muitos outros títulos pouco honrosos. Cheguei à fé pela primeira vez através do programa dos 12 passos, quando se tornou claro para mim que tinha de escolher entre uma vida espiritual e uma morte alcoólica que se aproximava rapidamente. As pessoas que me ajudaram a fazer esta mudança na minha vida explicaram-me que não importava a quem eu orava, apenas que o fizesse e confiasse que haveria algo ou alguém do outro lado.
Não vou desenvolver agora o processo de trabalhar os passos, mas foi ao tentar manter a mente aberta em relação ao poder da fé e à existência de Deus, ao tentar ser rigorosamente honesto quanto aos meus defeitos de carácter, ao tentar reparar os danos que tinha causado, que acabei por ter um despertar espiritual.
Nunca esquecerei o momento em que Deus me confirmou que sim, Ele é real, e sim, Ele ama-me. Estava de joelhos a orar antes de me deitar; estava há relativamente pouco tempo sóbrio e suplicava para ser libertado das minhas obsessões e ressentimentos, para que pudesse ser mostrado aos outros o que o poder de Deus é capaz de fazer num caso desesperado como o meu. Faltam-me as palavras para descrever o que senti naquele momento, mas foi como se um interruptor tivesse sido accionado e, de repente, conheci uma paz no meu coração que nunca antes tinha conhecido.
Isto aconteceu há cerca de dois anos e meio. Desde então sei que Deus é real e que Ele me ajudará se eu for humilde e contrito e se o meu desejo de ser melhor for genuíno. Cheguei a este conhecimento através da experiência pessoal. Soube então que estava no caminho que devia seguir. Finalmente tinha encontrado aquilo que iria curar a podridão que estava a matar a minha alma. Estive perto de estar espiritualmente morto, mas encontrei uma nova oportunidade de vida.
Decidi que continuaria a caminhar cada vez mais fundo numa vida espiritual. Procurei outras pessoas que estavam no mesmo caminho que eu, pessoas que procuravam usar a espiritualidade para se tornarem melhores, e através delas fui exposto a uma vasta gama de leituras, crenças e opiniões. De todas essas leituras iniciais, o que mais ficou comigo foi um texto do Mestre Eckhart, um monge do século XV, da Turíngia, que escreveu extensivamente sobre a relação entre Deus e o Homem. A forma como ele explicava como a minha relação com Deus deveria ser — e como poderia funcionar — fazia todo o sentido. Quando explicava a Trindade, fazia todo o sentido, embora eu não acreditasse nela. Como uma criança teimosa, levar-me-ia muito tempo até finalmente admitir a verdade, mesmo a mim próprio.
Não consigo apontar-vos o momento exacto em que soube com toda a certeza que o Deus que me tinha levantado era Jesus Cristo; isso aconteceu não muito tempo depois de me ter juntado a esta Igreja no ano passado. Estava, mais uma vez, profundamente deprimido e a morrer espiritualmente por dentro, depois de ter tentado afastar-me de um caminho espiritual e continuar a melhorar apenas pela minha própria força de vontade. Creio que cheguei simplesmente a um ponto em que já não conseguia resistir, já não conseguia contornar a verdade. Não houve um único momento de despertar como o que tinha vivido antes, mas apercebi-me muito rapidamente de que finalmente tinha encontrado e admitido a verdade: que Jesus Cristo é Deus. Ele carregou a cruz e morreu nela, sem culpa e puro, para que eu pudesse ser salvo da minha própria degeneração.
Como poderia negar isto? Não posso.
Sei que esta fé se enraizou no lugar mais profundo de mim, que vive em mim abaixo do pensamento consciente — hoje em dia, quando tenho pesadelos, chamo o Seu nome enquanto durmo. Pedi-Lhe que me convencesse do meu pecado, e Ele fê-lo, e continua a fazê-lo todos os dias. Peço-Lhe todos os dias que me guie, que me salve e que me aproxime mais d’Ele. Não tenho sido tão diligente quanto poderia, mas tenho melhorado nos meus esforços para ser um bom cristão, e sei que este é um trabalho que continuará durante o resto da minha vida.
Sei que Ele me baptizou com o Espírito Santo. Venho hoje perante vós para pedir que seja baptizado com água. Embora não finja compreender plenamente todo o significado disto, sei que é importante e que Jesus nos ordenou que o fizéssemos. É minha esperança que este baptismo sirva como uma forma de eu ser responsabilizado enquanto cristão. Todos ouviram o meu testemunho e, quando me virem ser baptizado, saberão que estou a tentar ser um verdadeiro seguidor de Cristo. Espero que isto me ajude a enraizar-me na fé e na igreja. Sei que, quando Ele me baptizou com o Espírito Santo, morri com Ele e sou agora uma nova criação. Peço-vos agora que me batizem com água, para que eu possa demonstrar a minha devoção a Deus e o meu desejo de Lhe obedecer. Eu amo-O e, por isso, seguirei os Seus mandamentos.
Obrigado.“